O Melhor do Musical – Uma Overdose de amadorismo, constrangimento, falta de educação e de limites.

O título do espetáculo “O Melhor do Musical” é o típico caso de propaganda enganosa de trupe mambembe que induz o espectador ao erro.

Em uma mesma noite, os grandes clássicos de musicais foram destruídos e desrespeitados pela trupe e pelos seus convidados que, se prevalecendo do falso anúncio de ser o último dia da constrangedora apresentação, seus amigos, colegas e/ou convidados se acharam no direito de gritar, atender celulares, passear pelos corredores, pular de poltrona para ficar mais perto de seus iguais e até mesmo saírem em bando faltando 30 minutos para terminar o fatídico espetáculo.

O estilo ímpar e constrangedor através do qual foram apresentados “A Noviça Rebelde” e “Rent” nos fez rir silenciosamente tamanha a pobreza em função da falta de direção geral das mesmas.

Em cena, “atores-bailarinos-cantores” atuavam como num teatro amador, tendo como espectadores seus convidados familiares e amigos barulhentos e sem o mínimo de educação, sendo os únicos a expressarem uma falsa e suspeita reação positiva provinda da platéia, através de aplausos forçados e uivos frente a qualquer movimento descompassado no palco.

Sem qualquer versatilidade e desprovido de talento, o grupo apresentou um punhado de trechos de musicais, sem qualquer preocupação com cronologia, conteúdo e continuidade de uma apresentação e outra. Ao fundo, projeções com baixa resolução de imagens escaneadas de capas de discos ou capturadas em sites, somente promoveu um patético circo dos horrores durante quase duas horas de espetáculo sem intervalo.

 “O Melhor do Musical” é uma overdose de amadorismo, constrangimento, falta de educação e de limites. Os amantes de musicais imortalizados pela Broadway e pelas telas de cinema devem se precaver e não correr o risco de assistir a essa tentativa de lazer, caso haja uma insistência da produção em levá-la a algum espaço cultural permissivo a apresentação de “qualquer coisa”.

Sob a direção geral de Alessandro Dovalle, a peça foi encenada em uma das piores salas da Barra – o Centro Cultural Suassuna – local onde não se conhece pontualidade, controle de fila e marcação de lugares. Uma total falta de respeito para aqueles que saem de casa à procura de diversão.

A lista dos musicais massacrados pela trupe é infindável e desconexa: “Miss Saigon”, “Rei Leão”, “Cats”, “Moulin Rouge”, “Cantando na Chuva” (ao final desse, Jesus Cristo Super Star apertava a mão do “dançarino” da trupe que representava Gene Kelly), “Noviça Rebelde”, “Dreamgirls”, “Chicago”, “O Fantasma da Ópera”, “Grease”, “Mamma Mia”, entre outros – que promoveram as duas horas mais longas daquele fatídico domingo.

A direção musical de Delfim Moreira mesclava as canções originais em inglês com diálogos medíocres em português, sem estabelecer nenhum padrão de qualidade entre encenação e coreografia, sonoplastia e iluminação, figurino e maquiagem.

Ao final, a trupe pareceu não perceber que chegara a hora de acabar e nos forçam a um bis, que ninguém pediu, com “Dreamgirls”.

Foi inevitável deixar o teatro sem pedir o dinheiro de volta.

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