Bent – A Diferença entre compreensão e aceitação.

Bent

 “Bent”, em sua nova montagem no Teatro João Caetano no Rio de Janeiro, foi uma produção repleta de resgates para um público composto por dois universos: de pessoas esclarecidas e conhecedoras de toda a problemática que envolve o drama e de pessoas que se acham na obrigação de rir qualquer que seja a temática de um espetáculo – bastando que seja pronunciado uma palavra de baixo calão, exibido um nú artístico ou feita uma alusão a um comportamento sexual tido como não convencional pela sociedade retrógrada.

O alvo do espetáculo é o preconceito, seja ele denunciado através do anti-semitismo ou de práticas homofóbicas. Infelizmente, aquela segunda fração do público não o alcança e só faz perturbar o público atento e crítico com seus risos nervosos, transferindo para sí o alvo preconceituoso.

Quanto à montagem em si, havia um problema qualquer com a acústica, pois na primeira parte do espetáculo, as vozes dos atores pareciam se perder no cenário e filtrado pela boca de cena. Em se tratando de longo desenrolar do drama, a falta de clareza dos diálogos aliada às cenas dramáticas e sombrias chegou a provocar sono ao invés de comoção. O tema já muito explorado – perseguição nazista aos judeus e aos homossexuais – é ressuscitado pelo diretor Luiz Furlanetto que tenta desenhar o cotidiano sofrido dos campos de concentração, tantas vezes retratado em cinema e mini-séries. Através de “Bent”, seu autor, Martin Sherman, agrega ao tema a força da superação de dois homens através da submissão passiva durante a era Hitler.

No momento em que são discutidos os direitos civis dos homossexuais e ao mesmo tempo completam 60 anos da extinção dos campos de concentração alemães, “Bent” mostra a diferença entre compreensão e aceitação.

O espetáculo é introspectivo e melancólico, o que, de forma alguma, lhe tira o mérito de ser assistido, apreciado e reconhecido como um excelente programa.

Um comentário construtivo para futuras montagens: “a eliminação da afeminação, por muitas vezes facultadas a personagens homosexuais em espetáculos teatrais, pode  fazer com que o respeito à opção sexual por pessoas do mesmo sexo, por parte de um público ainda não vacinado contra o preconceito, de um modo geral, possa ser encarado de forma diferenciada de como a questão é tratada por programas humorístico de televisão de fácil assimilação.”

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