Limpe todo o sangue antes que manche o carpete – Solar de Botafogo

Ferreira & Senna

Está cada vez mais difícil encontrar novas mentes criativas no teatro, seja pelas propostas, muitas vezes absurdas e sem pé nem cabeça, ou pelas muitas montagens relativas a produções sem definição específica dos autores.

Assumir o risco ao investir em uma montagem no estilo de “Limpe todo o sangue antes que manche o carpete” resulta num conto pessoal e abstrato. E foi assim que Jô Bilac investiu: num enredo hermético em detrimento do nada.

Na montagem, o diretor procurou valorizar os elementos que identificou como algo “moderno” dentro de uma obra capenga e sem diretriz. Há muita força nos personagens, mas eles não decolam.

Os personagens parecem mais bonecos nas mãos de um ser que leva a sério a psicologia de freqüentador da Baronetti: olhou para minha mulher, leva porrada.

O drama trilha, de início, um roteiro aparentemente instigante, mas que se perde pelo caminho. A ótica de quem é medíocre, segundo a peça, se resume em uma simples demonstração de desprezo pelos menos favorecidos, idosos, pobres e jovens nerds e seus antagonistas mauricinhos. Com isso, tentam criar uma polêmica que o texto não sustenta.

O formato desenvolve-se com base na linha sugerida de “humor negro”. É dessa forma lamentável que os espectadores entendem a proposta, mesmo sem entender nada do que ocorre no palco. Emitem gargalhadas até mesmo da careta com cunho dramático – um verdadeiro pedido de socorro – que abre o espetáculo, como se tivessem pago para assistir, mesmo sem êxito, uma sessão de um programa humorístico ao vivo com atores provenientes da “telinha”.

Fazem caras e bocas de que “entendem” tudo o que rola no palco, mesmo que logo depois tenham que se dirigir aos seus acompanhantes para perguntar o que foi que aconteceu. Batem palmas de pé, ovacionando o que realmente não é merecedor de tal crédito, pelo simples fato de acharem que são pessoas “up to date” e que são capazes de entender a obra como um todo.

Então, vamos rir de tudo, bater palmas para todos e ficarmos de pé para os artistas. Qualquer semelhança com um show de Axé é mera coincidência.

 

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