Humor de A a Z – O Desânimo de 0 a 0 menos1

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Trata-se de um “espetáculo” que tem total relação com os temas que aborda: homofobia, preconceito e falta de humor.


Um exemplo disso, segundo o texto de Sidney Oliveira, algumas, dentre as principais características de um homossexual são: a sua afetação, seus amiguinhos com nomes terminados em “inhos” e a total falta do que dizer.


Dentro deste mesmo contexto emerge, de forma perversa, a combinação de valores, posturas e atitudes, que obedece a um sistema de crenças hipócritas criadas por um nicho de gente machista e nociva à sociedade como uma unidade, sociedade que convive todos os dias com o desrespeito aos seus direitos básicos.


Humor de A a Z não diverte, não é inteligente e apóia sua total falta de qualidade técnica e humorística em 4 personagens: a “bichinha” estagiária, a agente de saúde, a vendedora de quentinhas e o cantor de forró.


Esses personagens não conseguem levar a platéia a nenhum pico de prazer, ser carismáticos ou provocar uma identificação com o próprio ator por parte dos espectadores.


A cada esquete, a forma didática e técnica do ator nos faziam sentir uma forte saudade de casa e uma desesperada vontade de sair antes do final do “espetáculo” que, no dia 1º de agosto de 2009, começou com 30 minutos de atraso e com o teatro sujo – imediatamente após o término de outro espetáculo e por isso não fizeram a limpeza da sala. Dava a impressão que, até os responsáveis pela casa estariam achando essa “comédia” algo menor e sem necessidade de maiores cuidados, mesmo que em respeito ao público.


Não vale a pena sequer indicar a peça para os amigos ou inimigos, conforme sugerido pelo o ator Marcos Crazú ao final da peça, pois não encontramos sequer nossos inimigos no lixo. Esse chavão, pobre e ultrapassado, só vem atestar a incompetência daqueles que o proferem ao final dos “espetáculos” em cujo trabalho ninguém acredita, nem mesmo os envolvidos.

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Gosto que me enrosco – Nota zero a elementos da platéia.


O Poquet Show “Gosto que me enrosco” com a participação de Claudia Lira e João Carlos Assis Brasil, dirigido por Leonardo Franco, no Solar de Botafogo, é uma grande homenagem à MPB, em especial a Sinhô, Tom Jobim, Ary Barroso, Noel Rosa, Ataulfo Alves, Herivelto Martins e Silvio Caldas.

Repertório só de clássicos, tais como: “Nunca”, “As Rosas Não Falam”, “Nada Além”, “Risque”, “Enlouqueci” e “Fascinação”, dentre outros. Abrindo uma brecha para clássicos internacionais, a platéia foi presenteada por repertórios de Kurt Weill, Cole Porter e Edit Piaf.

Nota dez, pois se trata de um registro ímpar que merece nossa presença e aplauso.

Mais uma vez, nota zero a elementos da platéia, dessa vez, fortemente representado por um casal cuja parceira passou 100% do espetáculo ingerindo vorazmente algum tipo de guloseima condicionada numa enorme embalagem econômica, promovendo uma barulhenta “percussão” provocada pela introdução incansável de sua mão no saco plástico a despeito do piano de João Carlos Assis Brasil e do vocal de Cláudia Lira.

Uma tremenda falta de educação, de civilidade e de respeito.

O Melhor do Musical – Uma Overdose de amadorismo, constrangimento, falta de educação e de limites.

O título do espetáculo “O Melhor do Musical” é o típico caso de propaganda enganosa de trupe mambembe que induz o espectador ao erro.

Em uma mesma noite, os grandes clássicos de musicais foram destruídos e desrespeitados pela trupe e pelos seus convidados que, se prevalecendo do falso anúncio de ser o último dia da constrangedora apresentação, seus amigos, colegas e/ou convidados se acharam no direito de gritar, atender celulares, passear pelos corredores, pular de poltrona para ficar mais perto de seus iguais e até mesmo saírem em bando faltando 30 minutos para terminar o fatídico espetáculo.

O estilo ímpar e constrangedor através do qual foram apresentados “A Noviça Rebelde” e “Rent” nos fez rir silenciosamente tamanha a pobreza em função da falta de direção geral das mesmas.

Em cena, “atores-bailarinos-cantores” atuavam como num teatro amador, tendo como espectadores seus convidados familiares e amigos barulhentos e sem o mínimo de educação, sendo os únicos a expressarem uma falsa e suspeita reação positiva provinda da platéia, através de aplausos forçados e uivos frente a qualquer movimento descompassado no palco.

Sem qualquer versatilidade e desprovido de talento, o grupo apresentou um punhado de trechos de musicais, sem qualquer preocupação com cronologia, conteúdo e continuidade de uma apresentação e outra. Ao fundo, projeções com baixa resolução de imagens escaneadas de capas de discos ou capturadas em sites, somente promoveu um patético circo dos horrores durante quase duas horas de espetáculo sem intervalo.

 “O Melhor do Musical” é uma overdose de amadorismo, constrangimento, falta de educação e de limites. Os amantes de musicais imortalizados pela Broadway e pelas telas de cinema devem se precaver e não correr o risco de assistir a essa tentativa de lazer, caso haja uma insistência da produção em levá-la a algum espaço cultural permissivo a apresentação de “qualquer coisa”.

Sob a direção geral de Alessandro Dovalle, a peça foi encenada em uma das piores salas da Barra – o Centro Cultural Suassuna – local onde não se conhece pontualidade, controle de fila e marcação de lugares. Uma total falta de respeito para aqueles que saem de casa à procura de diversão.

A lista dos musicais massacrados pela trupe é infindável e desconexa: “Miss Saigon”, “Rei Leão”, “Cats”, “Moulin Rouge”, “Cantando na Chuva” (ao final desse, Jesus Cristo Super Star apertava a mão do “dançarino” da trupe que representava Gene Kelly), “Noviça Rebelde”, “Dreamgirls”, “Chicago”, “O Fantasma da Ópera”, “Grease”, “Mamma Mia”, entre outros – que promoveram as duas horas mais longas daquele fatídico domingo.

A direção musical de Delfim Moreira mesclava as canções originais em inglês com diálogos medíocres em português, sem estabelecer nenhum padrão de qualidade entre encenação e coreografia, sonoplastia e iluminação, figurino e maquiagem.

Ao final, a trupe pareceu não perceber que chegara a hora de acabar e nos forçam a um bis, que ninguém pediu, com “Dreamgirls”.

Foi inevitável deixar o teatro sem pedir o dinheiro de volta.

Eu Sou Minha Própria Mulher – Um Traídor de suas convicções.

Na peça “Eu Sou Minha Própria Mulher”, o ator Edwin Luisi interpreta vários personagens para contar a história do travesti Charlotte Mahlsdorf, morto em 2002, aos 74 anos.

Ele atravessou o nazismo e, depois, o comunismo da Alemanha Oriental, montando e preservando um museu e um cabaré gay num porão.

Em alguns momentos nós, pobres expectadores do Teatro Laura Alvim onde se hospedou a mais recente temporada do espetáculo, também nos sentíamos prisioneiros e torturados pela péssima acústica e pelas poltronas no balcão, absolutamente não nobre e equipado com poltronas absolutamente não ergonômicas e lesivas à postura de um ser humano, qualquer que fosse sua estatura e compleição.

Tal desconforto, provocado pelo descaso de uma casa tida como de cultura em plena Avenida Vieira Souto, permitia que os  espectadores mais exigentes se perdessem em pensamentos desgostosos sobre a peça, indagando sobre o por quê de uma peça tão longa para contar a história de um travesti que, nos anos 70, assinou um documento para os agentes da Stasi com o seguinte conteúdo:

 “Eu, Lothar Berfelde, me comprometo, de livre e espontânea vontade, a trabalhar junto ao Ministério de Seguranca do Estado. Reportarei toda e qualquer ação que pareça de caráter inimigo do Estado”.

Ele chegou a ter um nome-código – Park – e reportou à polícia secreta transações ilegais de antiguidades, sendo responsável, inclusive, pela prisão de um amigo colecionador.

Tudo isso veio à tona, porque depois da unificação das Alemanhas, qualquer cidadão pôde pedir uma copia dos arquivos da Stasi.

Charlotte evidentemente tinha mantido a colaboração com o regime em segredo. Mas, a imprensa, com acesso aos arquivos, logo divulgou seu prontuário.

Em suma, um traídor de suas convicções.

“Eu Sou Minha Própria Mulher” pôde, até mesmo, comover a Brodway, pois lá não se convive com tantas pessoas de “boas intenções” como aqui no Brasil.

O que valeu, além dos primorosos figurino, iluminação e cenografia, foi o exercício de interpretação do ator Edwin Luisi, que merecidamente, foi premiado por sua atuação como Charlotte Mahlsdorf.

Bent – A Diferença entre compreensão e aceitação.

Bent

 “Bent”, em sua nova montagem no Teatro João Caetano no Rio de Janeiro, foi uma produção repleta de resgates para um público composto por dois universos: de pessoas esclarecidas e conhecedoras de toda a problemática que envolve o drama e de pessoas que se acham na obrigação de rir qualquer que seja a temática de um espetáculo – bastando que seja pronunciado uma palavra de baixo calão, exibido um nú artístico ou feita uma alusão a um comportamento sexual tido como não convencional pela sociedade retrógrada.

O alvo do espetáculo é o preconceito, seja ele denunciado através do anti-semitismo ou de práticas homofóbicas. Infelizmente, aquela segunda fração do público não o alcança e só faz perturbar o público atento e crítico com seus risos nervosos, transferindo para sí o alvo preconceituoso.

Quanto à montagem em si, havia um problema qualquer com a acústica, pois na primeira parte do espetáculo, as vozes dos atores pareciam se perder no cenário e filtrado pela boca de cena. Em se tratando de longo desenrolar do drama, a falta de clareza dos diálogos aliada às cenas dramáticas e sombrias chegou a provocar sono ao invés de comoção. O tema já muito explorado – perseguição nazista aos judeus e aos homossexuais – é ressuscitado pelo diretor Luiz Furlanetto que tenta desenhar o cotidiano sofrido dos campos de concentração, tantas vezes retratado em cinema e mini-séries. Através de “Bent”, seu autor, Martin Sherman, agrega ao tema a força da superação de dois homens através da submissão passiva durante a era Hitler.

No momento em que são discutidos os direitos civis dos homossexuais e ao mesmo tempo completam 60 anos da extinção dos campos de concentração alemães, “Bent” mostra a diferença entre compreensão e aceitação.

O espetáculo é introspectivo e melancólico, o que, de forma alguma, lhe tira o mérito de ser assistido, apreciado e reconhecido como um excelente programa.

Um comentário construtivo para futuras montagens: “a eliminação da afeminação, por muitas vezes facultadas a personagens homosexuais em espetáculos teatrais, pode  fazer com que o respeito à opção sexual por pessoas do mesmo sexo, por parte de um público ainda não vacinado contra o preconceito, de um modo geral, possa ser encarado de forma diferenciada de como a questão é tratada por programas humorístico de televisão de fácil assimilação.”

Valente! – Teatro Glaucio Gil

Valente!

O musical “Valente!” – versão 2008 – Rio de Janeiro – é uma semente que deve ser germinada de forma ambiciosa. Até que um dia, seja transformado numa superprodução digna de palcos e platéias de maiores dimensões, em teatros com maiores recursos. Encenado, de forma tímida, no Teatro Gláucio Gil, contou com direção de Claudio Villela, cenários e figurinos de Colmar Diniz, texto de Anamaria Nunes e atuações de Claudio Villela como Assis Valente, Regiane Heattes como Carmen Miranda e Milton Filho como Madame Satã.

Saímos do teatro com a sensação de que muita coisa faltava no musical – não tirando o mérito de todo o esforço empenhado no trabalho sério da equipe, mas talvez, por limitação de verba de patrocínio.

Embora o musical seja desenvolvido com base em um texto rico e instigante, ninguém sai comentando sobre o que acontece no palco, ninguém cantarola – mesmo que indevidamente – durante cada sucesso interpretado ou aplaude ao término de cada um -senão pelos artistas, mas pelo menos, pela homenagem prestada.

O musical não consegue alcançar o público da mesma forma as gravações atuais dos diversos sucessos apresentados facilmente o fazem. 

O nível contínuo de dramaticidade da iluminação cênica – perfeita para retratar a noite em que Assis Valente se entrega ao suicídio – inibe qualquer reação da platéia que não seja o silêncio.

Faltaram interrupções na linha da dramaticidade, através das quais os sucessos de Assis Valente pudessem ser identificados e assistidos pela platéia animados por coreografias, por interpretações vocais e enriquecidos pela sonoplastia e pela iluminação de modo a mexer positivamente com os ânimos dos espectadores – mesmo que, ao final de cada sucesso apresentado, a atmosfera dramática fosse retomada.

A cantora-atriz Regiane Heattes, que interpreta os sucessos de Assis Valente como Carmen Miranda, não se impõe à altura de tal compromisso, nem através de sua voz, muito menos através de sua interpretação.

Nem mesmo quando Assis Valente/Claudio Villela interpreta as canções mais conhecidas e empolgantes faz com que a platéia interaja com o que está sendo proposto.

Parecia que todos os personagens, inclusive Assis Valente, eram meros coadjuvantes do musical.

Madame Satã/Milton Filho não demonstrou assumir a força do personagem e nem causou graça, apesar da incessante tentativa do ator em provocar risos da platéia através da forma afeminada de interpretar o viril e malandro transformista.

Assis Valente tentou suicídio por várias vezes. Somente na terceira, e com seus 47 anos, misturando guaraná com formicida, conseguiu o que tanto almejava.

O musical deixa, nas entrelinhas, a possível homossexualidade do cantor e talvez, por esse fato, tamanha admiração pela morte.

Certo descuido da produção, decorrente de uma quase clara falta de verba de patrocínio, não faz com que o musical seja classificado como ruim. Muito pelo contrário, não deixa de ser um registro histórico válido e digno de ser assistido.

Mastercasa 10 anos – Granja Brasil – Itaípava

Ferreira & Senna

Dia 13 de junho de 2008 foi a noite de abertura da MASTERCASA 10 ANOS na Granja Brasil em Itaipava.

Vamos nos limitar a discorrer sobre quatro destaques do evento.

Começando pela Iluminação da Fachada que foi realizada por Widimar Ligeiro. O profissional promoveu uma iluminação indireta sobre o deck da piscina, o espelho d’água e jardins, através do rebatimento de luz nos tetos das varandas e do grande beiral da cobertura, proporcionando um luar artificial e destacando a edificação como chamada à exposição. Contudo, faltaram elementos paisagísticos de destaque para serem iluminados nesse grande espaço aberto descoberto.

A Suíte das Meninas, projetada por Rodrigo Emmel, Izabelle Ribeiro e Edu Miguez me pareceu uma prova de que a cromoterapia pode ser eficaz. O espaço, colorido de forma bem suave e voltada para a percepção infantil, nos remete a um ambiente tranqüilo e cheio de alegria, ideal para crianças hiperativas que precisam desacelerar em algum momento.

O Salão Fitness também não deixou a desejar. Ricardo Serzedello pegou carona no modismo do pilates e montou um estúdio totalmente equipado com os aparelhos que fazem o maior sucesso em todas as boas academias. Materiais de revestimento para piso, parede e teto, complementados por uma iluminação bem lançada. Um espaço para ser usado por homens e mulheres, adornado por plotagens com fotos de mulheres, embora essa prática também se estenda ao público masculino.

As Salas de Estar e de Jantar projetadas por Leandro Esteves, sem dúvida alguma, retrata o bom gosto do profissional na dose exata, através dos materiais de revestimento, mobiliário, iluminação, tecidos e cores.  

De um modo geral, em todos os ambientes, houve uma exposição excessiva de objetos de decoração sobre os móveis, dentro de nichos e pelos cantos vazios – dispensável.

A MASTERCASA não foge à regra, como os outros eventos direcionados à decoração – apresenta os excessos e carências que, sob uma ótica bem crítica, só caem bem no Fashion Rio, tais como:

  • cortinas, hora pobres em metragem de tecido, hora excessivamente rebuscadas e complementadas por acessórios e penduricalhos de cristal, e suspensas por varões de formas grotescas;
  • criadouros de animais suspensos em luminárias desafiando a capacidade de manutenção e asseio do mini-sistema ecológico por parte de qualquer usuário;
  • iluminação equivocada desafiando a capacidade dos usuários em permanecer um tempo considerável sob fachos de luz termicamente desconfortáveis e de custo de manutenção dispendioso;
  • materiais especificados e soluções propostas como se os usuários não usassem os espaços no dia-a-dia, mas fossem espaços permanentes de exposição.

Sem dúvida alguma, apesar de todos os vícios profissionais, mas que fazem parte da fantasia que levam milhares de pessoas a esse tipo de evento em busca de seus sonhos, a MASTERCASA vai se impondo no mercado de arquitetura e decoração, como um dos eventos mais esperados a cada ano.

Limpe todo o sangue antes que manche o carpete – Solar de Botafogo

Ferreira & Senna

Está cada vez mais difícil encontrar novas mentes criativas no teatro, seja pelas propostas, muitas vezes absurdas e sem pé nem cabeça, ou pelas muitas montagens relativas a produções sem definição específica dos autores.

Assumir o risco ao investir em uma montagem no estilo de “Limpe todo o sangue antes que manche o carpete” resulta num conto pessoal e abstrato. E foi assim que Jô Bilac investiu: num enredo hermético em detrimento do nada.

Na montagem, o diretor procurou valorizar os elementos que identificou como algo “moderno” dentro de uma obra capenga e sem diretriz. Há muita força nos personagens, mas eles não decolam.

Os personagens parecem mais bonecos nas mãos de um ser que leva a sério a psicologia de freqüentador da Baronetti: olhou para minha mulher, leva porrada.

O drama trilha, de início, um roteiro aparentemente instigante, mas que se perde pelo caminho. A ótica de quem é medíocre, segundo a peça, se resume em uma simples demonstração de desprezo pelos menos favorecidos, idosos, pobres e jovens nerds e seus antagonistas mauricinhos. Com isso, tentam criar uma polêmica que o texto não sustenta.

O formato desenvolve-se com base na linha sugerida de “humor negro”. É dessa forma lamentável que os espectadores entendem a proposta, mesmo sem entender nada do que ocorre no palco. Emitem gargalhadas até mesmo da careta com cunho dramático – um verdadeiro pedido de socorro – que abre o espetáculo, como se tivessem pago para assistir, mesmo sem êxito, uma sessão de um programa humorístico ao vivo com atores provenientes da “telinha”.

Fazem caras e bocas de que “entendem” tudo o que rola no palco, mesmo que logo depois tenham que se dirigir aos seus acompanhantes para perguntar o que foi que aconteceu. Batem palmas de pé, ovacionando o que realmente não é merecedor de tal crédito, pelo simples fato de acharem que são pessoas “up to date” e que são capazes de entender a obra como um todo.

Então, vamos rir de tudo, bater palmas para todos e ficarmos de pé para os artistas. Qualquer semelhança com um show de Axé é mera coincidência.

 

Quebrando a Banca

Ferreira & Senna

 

Quebrando a Banca,

sob direção de Robert Luketic, diretor de Legalmente Loira, tem todos os ingredientes de uma produção feita para, literalmente, quebrar a banca.

Ele não traz nada de novo, mas também não estraga o roteiro da película – que tem um ritmo muito parecido com as seqüências de Onze, Doze, Treze Homens… – cujo elenco de peso é muito bem dirigido.

Com todos os ingredientes postos de forma harmoniosa, é um filme auto-suficiente e vale as duas horas na poltrona.

Sua carga de humor é muito bem dosada, seu suspense é estrategicamente localizado, sua carga dramática não cai no lugar comum.

Trata-se de um filme que consegue manter o olhos do público colados na tela para não perder nem um sinal dos universitários CDFs.

 

O Nosso Amor a Gente Inventa – Teatro Vanucci

Ferreira & Senna

 

Não pense em um dia assistir a peça “O nosso amor a gente inventa” – um texto inédito de Miguel Paiva -, pensando que se trata da vida ou algo parecido de Cazuza.

“O nosso amor a gente inventa” foi qualquer coisa, menos uma história autêntica. A psicologia sobre mulheres apaixonadas insatisfeitas com os seus parceiros foi apresentada através de uma verborragia sem fim e muito cansativa.
Sob a direção de Cininha de Paula e estrelado pelos atores Carlos Bonow, Luciana Coutinho, Stella Antunes e Martina Blink, o espetáculo esforçou-se em se manter através de um texto cabeça e com muitos encontros e desencontros.
Bonow interpretou uns sete personagens e, sem dúvida alguma, foi quem conseguiu não nos fazer cair em sono profundo com tanta conversa feminista e cheia de “moral da história”.

Não tiro o mérito das atrizes em questão. Elas responderam muito bem ao que lhes fora exigido pela direção.

Sou fiel leitor dos quadrinhos da Radical Chic e assisti o filme Gatão de Meia Idade. Não encontrei qualquer semelhança entre as personagens femininas e a personagem Radical, mas sim muito do Gatão nos personagens do Bonow.

A história gira em torno de uma mulher madura, de uma outra sem história própria e de uma tereira que prefere perdoar sempre. O texto é bem parecido com tudo que vemos na telinha. Talvez, por isso, quase todos os espectadores, fora aqueles que dormiam durante quase todo o espetáculo, achou graça. Afinal, a peça não era de graça. Mesmo!
Os ingressos custavam R$ 50,00 de quintas e sextas-feiras e R$ 60,00 aos sábados e domingos.